sábado, 21 de fevereiro de 2009
díptico
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
palavra aberta
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
what about reading
Mesmo o mais feliz dos epílogos textuais não deixa de ser um fim, uma espécie de morte. Lemos, sabendo que são limitadas as nossas vidas de leitores desse texto particular e que, a cada palavra, mais nos aproximamos do final. Conquanto uma dada narrativa possa transmitir-nos a urgência de prosseguir até à respectiva conclusão, existe algo em nós que se rebela contra este impulso. Ansiamos por terminar uma história, conhecer-lhe o desenlace, sentir o deleite, a catarse ou seja o que for que nos aguarde no final, mas, ao mesmo tempo - e quanto mais prazer o livro nos proporcionar mais forte será tal sentimento - não desejamos que ela termine, queremos que prossiga para sempre. Os livros, porém, tal como as vidas, não continuam indefinidamente. É certo que se pode reler um livro, que se pode recomeçar, tal como Platão acreditava que as almas recomeçavam a viver; mas também é verdade que, tal como Heraclito porventura diria, a mesma pessoa nunca lê o mesmo livro duas vezes.
(...) Se um livro, uma história ou qualquer outro texto se assemelha a uma pequena vida, e se a leitura consome um tempo precioso dessa outra história que pensamos ser a nossa vida, então é preciso tirar o maior proveito possível da leitura, tal como tiramos partido da vida.
A leitura recorda-nos que todos os textos terminam numa página em branco e que aquilo que obtemos de cada texto é exactamente compensado por aquilo que damos. A capacidade, conhecimentos e entrega ao texto determinará para cada pessoa o género de experiência que aquele lhe proporciona. A aprendizagem da leitura de livros - ou de quadros ou de fitas cinematográficas - não se resume à mera aquisição da informação contida nos textos; é também aprender a ler e a escrever o texto da vida individual. Assim considerada, a leitura não constitui um mero exercício académico, mas uma maneira de se aceitar o facto de que a vida tem uma duração limitada e de que, seja qual for o deleite que colhamos dela, este terá de resultar da força do compromisso com que nos rodeia. Faremos bem em ler a vida com a mesma energia que pomos na aprendizagem da leitura de textos. Todas as pessoas passam por algumas experiências que dir-se-ão exigir mais do que uma dose superficial de entendimento.
Robert Scholes in Protocolos de Leitura
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Apoteose do disfarce
Este manifesto tem a vatagem de ser claro. A estética da guerra actual apresenta-se-lhe da seguinte forma: se o aproveitamento natural das forças produtivas for travado pelo sistema de propriedade, então o aumento de recursos técnicos, de ritmo, de fontes de energia, será impelido a uma valorização não natural. É o que sucede na guerra que, com as suas destruições, demonstra que a sociedade não tinha maturidade suficiente para incorporar a técnica como órgão seu, e de que a técnica não estava suficientemente desenvolvida para dominar as suas forças sociais elementares. A guerra imperialista é determinada, nos seus mais terríveis aspectos, pela discrepância entre os poderosos meios de produção e o seu aproveitamento inadequado no processo produtivo (pelo desemprego e escassez de mercados). A guerra imperialista é uma revolta da técnica que reclama sob a forma de 'material humano' aquilo que a sociedade lhe retirou como material natural. Em vez de canalizar rios, conduz a corrente humana ao leito das suas trincheiras, em vez de lançar sementes dos seus aviões, lança bombas incendiárias sobre cidades e, como a guerra do gás, encontrou um meio de aniquilar a aura, de uma nova forma.
"Que a arte se realize, mesmo que o mundo deva perecer", diz o fascismo e, como Marinetti reconhece, espera que a guerra forneça a satisfação artística da percepção dos sentidos alterados pela técnica. Isto é, evidentemente, a consumação da 'l'art pour l'art'. A humanidade que, outrora, com Homero, era um objecto de contemplação para os deuses do Olimpo, é agora objecto de auto-contemplação. A sua auto-alienação atingiu um grau tal que lhe permite assistir à sua própria destruição, como a um prazer estético de primeiro plano.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
conscience
Contudo, pensei que a sua ausência ou presença não é assim tão indiferente e que, não obstante processo biológico, as suas repercussões, por muito que as pretendamos ignorar, subestimar ou atenuar, fazem ressentir-se. Mais não seja nos revolveres na barriga, nas borboletas no estômago, nos apertos no coração ou nas lágrimas delatoras dos mais temidos e recônditos sentimentos. Pode não ser mais que mera biologia. Mas e daí? Racionais, mas animais.
domingo, 26 de outubro de 2008
to be an author 2
Abençoado IPod, que já nos proporcionaste tantas destas aestesis.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
profecy
Mas é também profeta aquele que a realidade define como Soft Parade.
When I was back there in seminary school, there was a person there
Who put forth the proposition, that you can petition the lord with prayer
Petition the lord with prayer, petition the lord with prayer
You cannot petition the lord with prayer!
Can you give me sanctuary, I must find a place to hide, a place for me to hide
Can you find me soft asylum, I cant make it anymore, the man is at the door
Peppermint, miniskirts, chocolate candy, champion sax and a girl named sandy
Theres only four ways to get unraveled, one is to sleep and the other is travel, da da
One is a bandit up in the hills, one is to love your neighbor till
His wife gets home
Catacombs, nursery bones, winter women, growing stones
Carrying babies, to the river
Streets and shoes, avenues, leather riders
Selling news, the monk bought lunch
Ha ha, he bought a little, yes, he did, woo!
This is the best part of the trip, this is the trip, the best part
I really like, whatd he say? , yeah!, yeah, right!
Pretty good, huh, huh!, yeah, Im proud to be a part of this number
Successful hills are here to stay, everything must be this way
Gentle streets where people play, welcome to the soft parade
All our lives we sweat and save, building for a shallow grave
Must be something else we say, somehow to defend this place
Everything must be this way, everything must be this way, yeah
The soft parade has now begun, listen to the engines hum
People out to have some fun, a cobra on my left
Leopard on my right, yeah
The deer woman in a silk dress, girls with beads around their necks
Kiss the hunter of the green vest, who has wrestled before
With lions in the night
Out of sight!, the lights are getting brighter
The radio is moaning, calling to the dogs
There are still a few animals, left out in the yard
But its getting harder, to describe sailors, to the underfed
Tropic corridor, tropic treasure
What got us this far, to this mild equator?
We need someone or something new
Something else to get us through, yeah, cmon
Callin on the dogs, callin on the dogs
Oh, its gettin harder, callin on the dogs
Callin in the dogs, callin all the dogs, callin on the gods
You gotta meet me, too late, baby
Slay a few animals, at the crossroads, too late
All in the yard, but its gettin harder, by the crossroads
You gotta meet me, oh, were goin, were goin great
At the edge of town, tropic corridor, tropic treasure
Havin a good time, got to come along, what got us this far
To this mild equator? , outskirts of the city, you and i
We need someone new, somethin new, somethin else to get us through
Better bring your gun, better bring your gun
Tropic corridor, tropic treasure, were gonna ride and have some fun
When all else fails, we can whip the horses eyes
And make them sleep, and cry.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Gossip
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
smile
E, de facto, I'll find that life is still worthwhile.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
a minha alma foi sempre assim, um espaço oco
sábado, 7 de junho de 2008
Still ill ou da sanidade de espírito
Foi à luz de grandes pensadores que fui chegando, passo a passo trémulo, a esta conclusão. Desde o fascinante Sócrates, descalço e de simples trajes, sem saber ler nem escrever numa sociedade elitista, condenado à morte injustamente por "dar à luz" a capacidade de interrogação do outro, passando pelo próprio Cristo, que à revelia do culto em seu torno gerado, nos legou máximas de vida e algumas das mais belas parábolas conhecidas no mundo ocidental, e, por fim (the last, but not the least) a Modernidade, os teóricos das Luzes. Aqui, entre muitos outros, podemos relembrar Kant que à civilização deixou uma das mais belas e densas afirmações de que há memória na História: age apenas segundo uma máxima tal que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal.
Ainda retomando a Antiguidade, o antídoto perfeito para a salvaguarda do espírito pode ser também ele encontrado em Séneca. Mais do que doutrinar ou manipular, ensinou o valor da prática do bem, da perenidade da boa, aceitável e matricial natureza humana e do compromisso do indivíduo com a humanidade e com a moral. Estava então em condições de afirmar que o laço mais forte a prender-te à prática da virtude é este: comprometeste-te a ser um homem de bem.
Compromisso este com os princípios, com os outros, mas sobretudo consigo mesmo. Foi e é este ainda o legado maior da filosofia, que mais do que teoria, que mais do que disciplina,se afigura sobretudo como modo de vida.
Hoje estou certa de que mais do que a pretensão de ser popular numa sociedade do show business como a nossa, em que um dia se está dentro e noutro fora, em que um dia se é amado, noutro odiado, o melhor é mesmo que, chegando ao abismo, se retome o fôlego e se aja, não hedonisticamente, mas, a partir do eu, se viva para o mundo.
Acho que, não ingenuamente, é isto que pretendo ser, e, retomando Wilde, só posso rematar dizendo que só compreendendo o que sou é que eu encontro algum conforto.