Mostrar mensagens com a etiqueta Hedonismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Hedonismo. Mostrar todas as mensagens

domingo, 28 de junho de 2009

limbo

'Then wear the gold hat, if that will move her;
If you can bounce high, bounce for her too,
Till she cry 'Lover, gold-hatted, high-bouncing lover,
I must have you!'

Thomas Parke D'Invilliers

segunda-feira, 8 de junho de 2009

eid ma clack shaw

Show me the way, show me the way, show me the way
To shake a memory.

sábado, 16 de maio de 2009

pietà

(William Blake, Pietà, 1795)

Rogo. Mas a quem? Peço. Mas quem escuta? O eco vácuo esbate no quarto atormentado. E aqui perpetua. Recursivamente.

sábado, 7 de março de 2009

drug


I am the drug that you've been waiting for
An urgent craving you cannot ignore
I am the fix that you come back for more
I am the drug

sábado, 21 de fevereiro de 2009

díptico

As dubiedades inerentes à maior parte (senão totalidade) das situações com as quais nos cruzamos nem sempre é por nós encarada da melhor forma, especialmente porque perante duplos sentidos nos percebemos confusos, desconfortáveis ou a um pequeno passo daquilo que podia ser perfeito. Ora a verdade, porém, é que é nas duplas valências que a perfeição se revela e que aquilo que nos basta, basta por si mesmo. Na inteireza. Blonde Redhead, nos dois temas de que mais gosto, a dar o mote para o díptico.





sábado, 7 de fevereiro de 2009

preludiar

Prelúdio - acto ou exercício preliminar, introdução; prólogo, preâmbulo; o que precede, o que anuncia; indício de uma coisa que vai acontecer.

sábado, 17 de janeiro de 2009

go to hell

Contrariamente à grande parte das pessoas, tenho algumas dificuldades em trabalhar sob pressão (sobretudo quando se trata de escrever/pensar/reproduzir ligações mentais mais ou menos manhosas). E pasmo-me com o meu ritmo de caracol de escrever uma média de uma página por cada 4 horas, o que, no somatório, dará qualquer coisa como umas assustadoras 12 horas para escrever uma recensão. A verdade é que, por mais intelectualmente aliciante que seja, já não posso ouvir falar de Benjamin, de Heidegger, de Kittler. Já não consigo dizer a palavra mediação e pensar em artes interactivas. Já pouco consigo pensar em algo de novo e questiono-me pela minha sanidade mental quando chego ao ponto de dizer que o corpo é sobretudo nó da corrente. Acho que fui sugada pelos media.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

pró-forma

O despertador finge-se cool ao som de 'Absolutely Cuckoo'. Hoje toca cedo porque decidi contornar o ócio matinal, apanágio das manhãs de Inverno. Levanto-me e, instantaneamente ligo a televisão. Séries norte-americanas, como prato do dia (manhã, tarde, noite). Mas leves, que ao acordar não apetece ver o agente Cooper e afins. 09h20, devia ir fazer exercício (primeiro o emocional, depois o físico). A indumentária, ao sair de casa, surpreende-me. Burguesinha ocidental. Uma t-shirt verde/azul marinho com o símbolo da Adidas ('mas por que raio tens isto?'), umas calças justas e uns ténis Nike à la Amy Winehouse em ruas de Picadilly City. Eles não me pagaram a publicidade. Nem tampouco me lembro de me alugar no e-Bay como spot. Pró-forma. Hoje vesti-me pró-forma, como a miúda da periferia de Paris, ou do centro de Tóquio. Formatada.
Mas, curiosamente, entro no carro (burguesa ocidental) e penso-me, à revelia da indumentária de hoje, perfeito cliché woodyallenesco - tenho sessões de psicoterapia, leio McLuhan, vejo Bergman e rio-me da ironia que é ter medo da intimidade. Infelizmente não vivo em Manhattan. Nem tudo o que é pró-forma é completo.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Do you take Dexter Morgan?


Maybe I'm making the biggest mistake of my life, but who's perfect? Certainly not me, certainly not Harry. Sure I'm still who I was, who I am. Question is what would I become. There so many blanks left to fill in. But right now, at this moment I'm content. Maybe even happy. And I have to admit, what I always said undone. Life is good.

Dexter, season 3, episode 12

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

não estar

Começara a ver tudo com a distância dos renegados. Passeava pelos outros como puro espectro e sombra desfocada. Não conseguia erguer aqueles olhos mártires, baços, envidraçados pela indiferença. Nos sons e nas palavras só via futilidade e estúpidas redundâncias, substâncias ocas de esforços inúteis pelo mais ínfimo sentido das coisas. Olhava com o desdém da clareza e com a dureza da solidão. Desaprendera os hábitos, os gestos e os olhares. Sabia-se simples nome, simples injunção de consoantes e vogais. Injunção essa fácil de esquecer e de apagar pela imposição da ausência. Inexistente; porque sob o peso da ausência sabia-se verdadeiramente ninguém.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

sábado, 29 de novembro de 2008

de olhos cavos

Acordava nesse dia com o pesado estigma da realidade. Não queria. As páginas do calendário assinalavam aquela sexta-feira que queria simplesmente riscar, como um dia em vão, já findo. Pelo remorso da culpa, atravessou a porta e deixou-a bater, com uma inércia que a força do vento permitia. Antes disso, olhou-se ao espelho, penetrando o olhar irmão reproduzido e apreciou as olheiras sintomáticas da sua indiferença pelo quotidiano, e o branco já sujo dos olhos. Esses olhos já desencorajados, já desavergonhados, sem pudor de nada omitir. Esses olhos carregados de vácuo, dessa pesada leveza que amiúde se esvai, sem requisito prévio ou autorização. Ao sair, percebe-se, no fim das contas, em simetria com o mundo, hoje incerto, gélido e de pingos inevitáveis. E de olhos já trémulos, deixa-os ir, ao sabor da chuva.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A devoção

Confirmei ontem a tese que formulei a partir do momento em que deixei de simplesmente conhecer Beach House para começar a nutrir pelo trabalho deles uma espécie veneração (coisa que aconteceu talvez no espaço de uma semana) - tenho sempre uma experiência de deleite como se da contemplação de uma epifania se tratasse. Será?

Por isso, qualquer comentário a respeito do concerto de ontem ou soaria a crítica pseudo-erudita ou a qualquer coisa do domínio da devoção inveterada (o trocadilho, devoção e tal. Não?)

Posto isto, apenas a dizer que ontem apenas faltou uma Childhood e uma Home Again. Qualquer coisa de onírico. Absolutamente onírico.

p.s. A Jana desenhou-me uma caveira. Arrepiei-me no D.A.R.L.I.N.G.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

conscience

Há algum tempo dizia, arrogantemente, que a consciência, na sua tradição ocidental, mais não era que um cómodo entrave e um inibidor convencionado da natureza humana. Ironicamente, hoje rodava The Divine Comedy no IPod, e surgiu isto: ... consciousness as a mere accessory of physiological processes whose presence or absence makes no difference, whatever are you doing (in 'The booklovers').
Contudo, pensei que a sua ausência ou presença não é assim tão indiferente e que, não obstante processo biológico, as suas repercussões, por muito que as pretendamos ignorar, subestimar ou atenuar, fazem ressentir-se. Mais não seja nos revolveres na barriga, nas borboletas no estômago, nos apertos no coração ou nas lágrimas delatoras dos mais temidos e recônditos sentimentos. Pode não ser mais que mera biologia. Mas e daí? Racionais, mas animais.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

he blows

We only reveal ourselves
And change ourselves
When we’re sheltered


Hanne Hukkelberg - 'The Northwind'


domingo, 2 de novembro de 2008

a pulp fiction's girl

Hoje disseram-me, mais do que uma vez, que estava especialmente parecida com a Uma Thurman no Pulp Fiction (coisa que foi egocentricamente boa de ouvir). E, inevitalmente, os comentários fizeram acompanhar-se disto:

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

the freaks

Falta menos de uma semana para o concerto da Aimee Mann e parece que vai ser o primeiro a que vou sózinha. É irónico. Durante algum tempo julguei que poderia ser eu a salvar os 'freaks who suspect they could never love anyone'. Hoje, numa conversa sobre a postura blasé e arrogante dos críticos e artistas, ouvi, "acho que vais ser assim daqui a uns anos". Não desdenhei. Afinal a freak sou eu.

domingo, 5 de outubro de 2008

A life in 7

A Maria lançou o desafio de revelarmos 7 das mais marcantes músicas da nossa amostra de existência. Tal como ela o disse, também não sou grande apologista destas actividades blogueiras, mas a verdade é que a melomania é capaz das maiores manifestações de desbravamento de intimidades. Como tal, e sem qualquer ordem de preferência, a minha escolha, aqui fica.


Os Joy Division são muito provavelmente das bandas em que melhor me revejo. Pelo intelectual negrume, pela tragédia, pelos esgares depressivos. New Dawn Fades é uma súmula de tudo isso.





Ele perguntou-lhe se estava pronta. Eles disseram que sim. A Tears for Affairs mostrou que não.




São a única banda da actualidade a quem presto (moderado) culto. Com a Wake Up percebi que queria destruir as falsas metafísicas.




'Vai ouvir The Smiths'. Até hoje isto me inebria, pela sua genialidade, I Know It's Over.




A Feist foi a minha primeira grande descoberta indie, ainda durante as estranhas idades da adolescência. E Gatekeeper soou precisamente assim.





Se não é uma das melhores músicas do final do século XX, então perdi a fé na Humanidade. Do aceitar a melancolia, I See a Darkness.




E aquele que possivelmente será um hino até aos meus 40 anos, Have You Seen Her Lately?

To survive