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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

real

Falávamos hoje do Realismo enquanto entrecruzamento entre o cinema e a vida. Não mais a propósito podemos recordar isto:


sábado, 13 de dezembro de 2008

Suécia

Ando em movie sessions de Bergman e com vontade de passear pelas ruas de Estocolmo e cruzar-me com isto. Vamos?


Ou será que elas só o fazem em S. Francisco?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Prosa cinematográfica


É o cinema uma arte? A arte existe? Se existe, o cinema será então, também, arte, na medida em que todo o cinema interpreta uma realidade, ou um sonho, uma acção concreta, ou um voo da imaginação.

O cinema é, pode dizer-se, uma síntese de todas as artes, e os seus realizadores imprimem, através da sua imaginação, imagens e sons com que constróem os seus próprios filmes, fazendo-se eles, do cinema, seus autênticos criadores.

Temos visto passar nos ecrãs toda uma variedade infinda de histórias, de técnicas, ou de processos. Mas eles surgem de cada vez - num cinema criativo, claro está - sob uma forma sempre nova.

Por isso, o cinema, como o teatro, a literatura, a pintura ou a música - elementos da síntese cinematográfica - é altamente dinâmico e a sua fisionomia transforma-se ao impulso do seu realizador, senão também às coordenadas da época.

Direi que, o teatro e o cinema serão sempre presentes pela necessidade do homem recriar a vida e de fixar-lhe a memória.

Eis que a velha guarda vos passa o testemunho. O futuro do cinema está nas vossas mãos. Confiai em vós e na vossa autenticidade. Não vos deixeis iludir por um público de multidão, tantas vezes enganador.

Sejamos sinceros connosco próprios, pois não haverá maneira mais nobre de amarmos o público.

E preservemos juntos o sortilégio de um ecrã mágico no fundo de uma sala escura onde olhos e ouvidos repousam atentos.

Manoel de Oliveira
Discurso proferido na entrega dos cartazes aos realizadores do futuro no Festival de Roterdão, 1988

domingo, 2 de novembro de 2008

a pulp fiction's girl

Hoje disseram-me, mais do que uma vez, que estava especialmente parecida com a Uma Thurman no Pulp Fiction (coisa que foi egocentricamente boa de ouvir). E, inevitalmente, os comentários fizeram acompanhar-se disto:

sábado, 25 de outubro de 2008

Cine em revista

Numa semana voluntariamente algo alienada do 'mundo da rede', houve tempo e espaço suficientes para passar pelo Doc Lisboa e ver a sessão dupla de 'Tell About Love' e 'Red Race'. Sobre o primeiro, curta de uma jovem francesa, há a elogiar o toque humano e o olhar bipolar sobre o amor. Mas há sobretudo que falar da pequena obra documental que é 'Red Race'. Trabalho centrado na manipulação precoce de crianças chinesas para a ginástica (em que assistimos às atrocidades e torturas que fazem o quotidiano dos miúdos de 5,6 anos levados para as Academias Olímpicas), é-nos dada uma visão hiper-realista da China de hoje, gigante que se auto-conserva, doutrina e incute os princípios da rigidez, da firmeza e do esforço, não obstante as lágrimas e a destruição emocional que isso possa implicar. Tudo em prol da grandeza de um país, do orgulho de tirar uma fotografia com a bandeira, ou ganhar uma medalha, nem que seja numa parola e maníaca competição de desenhos num infantário. Mutilação psicológica. Em repeat.

Em parceria, por ora nas salas de cinema comercias, a mais recente produção de Oliver Stone, W., que no seu estilo peculiarmente mordaz, nos revela cruamente aquilo que já há muito percebemos de George W. Bush, mas que chega a tornar-se chocante quando retratado - o típico americano médio, menino mimado criado nas festanças de cerveja e que, um dia, voltando-se para Deus, se julga responsável por empreender uma missão de resgatação do mundo, coisa que nada mais é senão infantil vingança e disfarçada justiça. No fundo, discute as pseudo terminologias dos oponentes como se de um jogo de Scrabble se tratasse e decide e faz a guerra, parabenizando os que mutilados ficam para engrandecer a Nação. Império. Despudoradamente, é isto.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

debruçando-se da escarpa falésia

Há dias em que tudo o que vejo me parece pleno de significados: mensagens que me seria difícil comunicar a outros, definir, traduzir por palavras, mas que precisamente por isso se me apresentam como decisivas. São anúncios ou presságios que me dizem respeito a mim mesmo e ao mundo ao mesmo tempo: e de mim, não os acontecimentos exteriores da existência mas o que acontece cá dentro, no fundo; e do mundo não um facto singular qualquer mas o modo de ser geral de tudo. Compreendem pois a minha dificuldade em falar disto, a não ser por alusões.

Italo Calvino in Se numa noite de Inverno um viajante


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Wall-E


Este não é mais um filme de robôs na era pós-Homem para menino-ou-menina ver com um balde de pipocas. E, por isto:

1 - O cenário apocalíptico de uma "garbage Earth" num filme de animação chega a arrepiar. Desprovida de vida humana, a Terra é um grande terreno de gigantes arranha-céus feitos de latas, patinhos de borracha, soutiens e todo o refugo e tralha possíveis. A camada de pó e as tempestades de areia são a nova atmosfera.

2 - Feito o trabalho sujo, a Humanidade, ou os seus resquícios, vive numa nave espacial, em que a comunicação virtual e o sedentarismo são a ordem do dia. Controlados por máquinas, a quem cabem as mais simples tarefas, os homens são obesos, fúteis e desprovidos, à partida de qualquer iniciativa e autonomia.

3 - O poder resgatador que a amizade e o amor podem ter. E a bondade que, até mesmo um rôbo isolado de tudo há centenas de anos, consegue demonstrar.
A ver.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

El Cinema

Férias - o ócio reina e os prazeres tomam contam da alma e do corpo. Com pouca vontade de dar olás ao mundo, aqui deixo apenas sugestões para os dias de lazer, as que têm feito os meus, dias e noites. Nisto tenho que me opor ao David Berman ,"I do see the use in staying up just to watch tv."



sexta-feira, 20 de junho de 2008

Hoje vê-se

Porque não apeteceu sair de casa para ir ver o "Coeurs", a sessão é dupla, com:


e




Depois de uma semana abusiva, a sorte é haver a boa comédia e o terno melodrama norte-americanos.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Tarte de Mirtilo


Nada há de errado com a Blueberry Pie. Simplesmente ninguém a quer.

Em My Bluberry Nights não vemos o Wong Kar Wai soberbo de Chungking Express, e, na realidade, encontramos algumas similitudes que nos remetem para a anterior obra prima do realizador. Natalie Portman na pele de uma legaly blonde viciada em jogo que exala charme, tal como a loira de Chungking, um polícia desesperado pela finitude do amor de Rachel Weisz (assim como o protagonista de Chungking era um polícia) e uma jovem naive (Norah Jones) que uma vez traída parte numa viagem por uma América repleta de figuras protótipo que a levam a concluir que mais do que ser outrem, pode ser simplesmente Elizabeth.

Ninguém quer a Blueberry Pie que sobra intacta todas as noites. Até que Jude Law e Norah Jones decidem partilhá-la. Nada há-de errado com a Blueberry Pie, e, afinal, há quem a queira.

domingo, 6 de abril de 2008

domingo, 30 de março de 2008

Chungking Express

Acabei de o ver. E é absolutamente sublime. Do afamado Wong Kar-Wai, Chungking Express.

A cena completa e, em baixo, em inglês.



sábado, 15 de março de 2008

Quem é o falso profeta?

Se dissermos que There Will Be Blood é um filme sobre um magnata do petróleo estaremos a ser claramente reducionistas. Mais do que se concentrar numa possível análise sobre os modos enviesados e interesseiros de um homem pragmático cheio de lábia, Paul Thomas Anderson, magnificamente, e claro, contando com a performance arrebatadora de Daniel Day Lewis, deixa a cru a hipocrisia humana no seu estado mais primitivo, a obsessão tacanha e a manipulação pela religião e o isolamento e degradação interiores, só resolvidos mediante a vingança.


I am a false prophet! God is a superstition!

No fundo, um grande soco no estômago.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

I'm Juno, but I don't know what kind of girl I am

Juno MacGuff: I'm losing my faith in humanity.
Mac MacGuff: Think you can narrow it down for me?
Juno MacGuff: I guess I wonder sometimes if people ever stay together for good.
Mac MacGuff: You mean like couples?
Juno MacGuff: Yeah, like people in love.
Mac MacGuff: Are you having boy troubles? I gotta be honest; I don't much approve of dating in your condition, 'cause well... that's kind of messed up.
Juno MacGuff: Dad, no!
Mac MacGuff: Well, it's kind of skanky. Isn't that what you girls call it? Skanky? Skeevy?
Juno MacGuff: Please stop now.
Mac MacGuff: [persisting] Tore up from the floor up?
Juno MacGuff: Dad, it's not about that. I just need to know if it's possible for two people to stay happy together forever, or at least for a few years.
Mac MacGuff: It's not easy, that's for sure. Now, I may not have the best track record in the world, but I have been with your stepmother for 10 years now and I'm proud to say that we're very happy.
[Juno nods]
Mac MacGuff: In my opinion, the best thing you can do is find a person who loves you for exactly what you are. Good mood, bad mood, ugly, pretty, handsome, what have you, the right person will still think the sun shines out your ass. That's the kind of person that's worth sticking with.
Juno MacGuff: I sort of already have.



Maybe she already had. E daí o abraço, do seu "Anyone else but you", aqui, como nunca antes.


Tu ne regrettes rien, Marion

And the oscar goes to Marion Cottilard. Sublime.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

War is Peace. Freedom is Slavery. Ignorance is Strength.

"If you want a vision of the future, Winston, imagine a boot stamping on a human face forever."

O'Brien, Richard Burton, in 1984

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008