domingo, 6 de abril de 2008

Joan Baez's Tears of Rage

Se o universo dos singers-songwriters em emergência se nos tem afigurado, ao longo, pelo menos, do anos 90 e 2000, como técnica e, igualmente, nos termos da sensibilidade, rico, e aqui volto a fazer referência a nomes como Josh Rouse, Ryan Adams, Elliott Smith, evidentemente Jeff Buckley e, mais recentemente Patrick Watson, não descurando as composições no feminino, nomeadamente Feist, Cat Power, Aimee Mann, e, roçando as fronteiras convencionais, Marissa Nadler, Jana Hunter, Sibylle Baier ou Joanna Newsom, hoje pretendo invocar o berço de toda esta profusão de genialidade efervescente. Para tal, é fulcral remetermo-nos não somente para os anos 80, em que nomes, como Kate Bush ou até mesmo Tori Amos se mostraram fundamentais para a progressão do género, ou para os 70s de Young e Cohen, mas sobretudo para o Folk dos anos 60 - por excelência berço do mundo do "cantautor". E aqui refiro-me essencialmente a cinco grandes nomes: Dylan, Cash, Baez, Janis e Mitchell.
Se estes cinco nomes funcionam perfeitamente a sólo, quando em conjunto, a fasquia aumenta consideravelmente. E se, com efeito, o envolvimento romântico de Joan Baez e Dylan contribui, especialmente, para a ascenção ao estrelato do Mr. Bojangles, o legado que ambos têm deixado no âmbito da história da música popular folk - do qual destaco Any Way Now, albúm em que Baez canta Dylan - vai muito além de uma união de dois espíritos jovens, revolucionários e com a pretensão de mudar o mundo. Talvez a comunhão de Dylan e Baez se alastre a todos aqueles que igualmente, de quando em quando, sucumbam a algumas "Tears of Rage".

Bande À Part

sábado, 5 de abril de 2008

Never For Ever


Just look at your father and you'll see
How you took after him.
Me, I´m just another
Like my brothers
Of my mothers genes.

All they ever want for you
Are the things they didnt do.
All they ever wanted--a little clue.
All they ever wanted--the Truth.
All they ever wanted--a little bit of you.
All they ever wanted,
But they never did get.

The whims that were weeping for
Our parents would be beaten for
Leave the breast
And then the rest
And then regret you ever left.

All were ever looking for
Is another open door.
All we ever look for--another womb.
All we ever look for--our own tomb.
All we ever look for--ooh, la lune.
All we ever look for--a little bit of you, too.
All we ever look for,
But we never do score.

All we ever look for--a God.
All we ever look for--ooh, a drug.
All we ever look for--a great big hug.
All we ever look for--a little bit of you.
All we ever look for--a little bit of you, too.
All we ever look for,
But we never do score.


"All we ever look for" - Kate Bush

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Chocolate ácido

Ao falarmos das contemporâneas formas de jazz - e aqui invoco nomeadamente o acid e o nu jazz - é incontornável a referência a nomes como Nicola Conte (que passará este sábado pelo Bairro Alto), Jazzanova, Koop ou The Cinematic Orchestra, que, muito devido às belíssimas compilações de Saint-Germain de Près-Café nos têm ao longo dos últimos anos dado a conhecer os nomes do jazz lounge electrónico. E se há nomes que, como estes, são já sobejamente conhecidos para os apreciadores do género (e aqui poderíamos mesmo chegar ao limite de questionar se os franceses Air se podem enquadrar nesta vanguarda do jazz, como será abordado num post posterior) outros há que têm permanecido algo na penumbra, não obstante a sua qualidade amplamente defendida pela crítica internacional e até mesmo pela inclusivé passagem no nosso país no final de 2006 (julgo). Falamos dos De Phazz - abreviatura de Destination Phuture Jazz - grupo alemão, numa menção a um dos seus melhores albúns, Death By Chocolate, de 2001, no qual, para além de jogarem com os ritmos quase downtempo do lounge, recorrem de forma elegante às sonoridades latinas e até mesmo ao trip-hop.


Like a rolling stone

Em plena vigência da ditatura da doxa, em que todo aquele que não tem uma opinião formada sobre tudo é tido como culturalmente desinteressante ou socialmente alienado, em que a divergência e plurifonia de vozes parece ser a marca da identidade sólida, em que um certo pudor ou falsidade chega a revestir as ideias supostamente próprias, à luz, mais popularmente de Dylan, e face ao confronto com, novamente, palavras de Platão (ainda hoje me interrogo porque raio o JC tem uma legião de fãs que oscila entre os magnatas e os paupérrimos, quando plagia muitos dos princípios platónicos, e de forma descarada) só o lembrete de que somos simples, vãs e podres rolling stones.


É que na situação em que nos encontramos hoje, é uma vergonha supormos que valemos alguma coisa, quando estamos sempre a mudar de opinião, mesmo em relação aos assuntos mais importantes, tão grande é a nossa ignorância.